Porque nem só de senso e sentido é feito o Mundo...
Bem-vindo ao meu.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

É engraçado sentir o silêncio que precede os momentos mais importantes da nossa vida. Agora, escrevendo no limiar entre amadora e profissional, ouço os passos nas escadas e nos corredores, o som de cada qual procurando o seu lugar.
Este, aliás, é o motivo de estar aqui agora: a busca pelo meu lugar.
Talvez poucos me entendam, talvez muitos me julguem louca. Meu desejo é não ser um Cara Estranho que "parece não achar lugar no corpo em que Deus lhe encarnou". Eu sei aonde devo estar hoje: não deveria estar em outro lugar além de aqui, nesta sala de aula tensa, numa manhã de domingo, aguardando o famigerado pacote preto lacrado que guarda aquilo que eu devo saber para chegar ao meu ideal. Não bastaria apenas o meu desejo reprimido de tantos anos como prova de que mereço estar ali? Não. Minha vontade é a mesma de tantos, dos meus 12 concorrentes para cada uma das 60 chances de uma nova vida.
Sim, uma nova vida. Para mim, pelo menos, é. Não é por um canudo, por um status, por um salário milionário. É por cada fibra do meu ser que pulsa enquanto escrevo.
Acabou meu tempo. Agora sou apenas eu, o caderno de questões e a folha de respostas. E este coração a bater cada vez mais rápido, na ânsia da expectativa deste encontro.
Ainda que não a toque, já sinto o seu cheiro. E já me sinto vitoriosa apenas pelo fato de ter rompido tantas amarras e estar correndo em direção a ela. Eu não desisti. Eu me libertei.

Olá, Ufba.

(16 de novembro de 2008, 8:05 - sala 363 do Colégio Góes Calmon, Salvador-BA - 1º dia da 1ª fase de provas do vestibular Ufba 2009)

domingo, 10 de agosto de 2008

Sempre tive medo do escuro.
Dá uma sensação de que todo o resto que havia ao meu redor desapareceu. Me sinto finita, amarrada, limitada. Me sinto presa nessa limitação de tempo-espaço do vazio absoluto da ausência de luz.
Entro em desespero. Pânico mesmo!
Não sei como agir.

Acabou a pilha.
As lâmpadas queimaram.
No medo, apaguei, sem querer, as velas.
Nenhum fósforo, isqueiro...
Não aprendi a fazer fogo com pedras, estas tantas que povoam meu caminho.

Será que é esse o fim?
Sufocada no próprio medo de tatear em busca do interruptor?
Ser asfixiada por esse pavor gélido que enforca minha respiração?

Não acho a luz no fim do túnel.
Até o túnel sumiu ao meu redor.

Alguém acende a luz, por favor?!





Como no post passado, vou aguardar o novo nascer do Sol.
Por agora, é a minha única fonte de energia.


"Nada como um dia após dia,
uma noite, um mês.
Os velhos olhos vermelhos voltaram,
de vez."

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Amanhã é o início de um recomeço.
Mas todo dia é um novo começo.
Cada amanhecer é um motivo pra recuperar energias e tentar de novo, e novamente, e outra vez, até acertar.
E cada pôr-de-sol é fonte de reflexão, verificar o que pode ser mudado para recomeçar quando aquele mesmo sol se tornar luz novamente a nossos olhos.
Cada dia é uma dádiva. É o Presente.
(é clichê, mas é verdade)

Feliz Dia Novo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Vou tentar me "obrigar" a passar aqui quase diariamente.
É realmente necessário espairecer, colocar-me pra fora desta neblina que rodeia meu cérebro, e tentar entender, olhando de fora, o que se passa aqui dentro.
Será que eu consigo?

Será que tem realmente lógica o que se passa no "Infinito Particular" de cada um de nós?

Sempre há algo pulsando aqui dentro.
Não apenas meu coração.
Alguns sentimentos sempre latejam mais que outros. Alguns se sobressaem, outros, taquicardíacos, pulsam descontroladamente, sem que se possa prever quando eles virão à tona.
Às vezes brincam de montanha russa... Me deixam vazia e, um segundo depois, explodem, todos ao mesmo tempo, sem ao menos me dar o direito de entender o que sinto.

Já se sentiu sem chão?
O que faz um ser racional, "equilibrado", focado em determinado objetivo, de repente perder o rumo?
Existe alguma forma de programar o cérebro, esta máquina perfeita, a sempre deixar em stand by um plano B?


Muitas interrogações e nenhuma exclamação.
Alguma idéia melhor pra acabar um dia assim?

-reticências-

(...)

quinta-feira, 31 de julho de 2008

As idéias gotejam até encher o copo. Pouco a pouco, há conteúdo suficiente para que este transborde.

Entretanto, o líquido contido não pode ser identificado. Cada gota é única, mas leva a outra, que leva a outra, a outra... E cada uma destas contém algo apenas seu. O líquido não é homogêneo, cada pequeno milímetro varia na cor, na densidade, na textura, na transparência, no brilho. Se complementam, mas não se confudem.

Cada qual com sua nuance enche o copo.

Ao transbordar, milhares de pequenas gotículas repletas de pensamentos inigualáveis são despejadas mundo afora...

As idéias gotejam, pouco a pouco.
Mas as palavras nem sempre acompanham o seu ritmo para descrevê-las.

Às vezes, um copo cheio é apenas um poço de interrogações.



(esses dias, a torneira anda com defeito, anda sempre pingando...)

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Libertação.
Liberta-a-ação.
O Verbo.
E também os adjetivos, substantivos, e tudo mais que a Língua Portuguesa me permitir (ou não, tanto faz. Se ela não permitir, eu arranjo outros idiomas).

Libertar as palavras.
Os pensamentos.
Os voláteis suspiros de realidade.
As centelhas de sentimento em meio ao caos.
Libertar, acima de tudo, a mim.

Libertar o positivismo que aprisiona. Que endurece. Que turva. Que entorpece. Que alucina.
O cabresto constitucional que as legislações me impuseram.
A venda da justiça cega cheia de furos, que permite enxergar a quem bem lhe entende.
As paredes que "me escutam e me irritam". Me sufocam.

Não mais escrever com a alma, mas sim com os olhos cansados desta miopia de ignorância.
Com a mente fértil, adubada (literalmente) com este cotidiano fecal.
Com as letras de quem pensa por si próprio. Com as palavras que as mãos bem entenderem. Com as idéias jorrando, sem medo e sem castração.

Não quero ser mais a Querubina de sonhos alados e auréola dócil.
Pés no chão. Mas a cabeça, esta vai aonde quer... E as palavras vão junto, retratando minhas percepções.

Quero ser Eu.
Ainda que não saiba quem o sou...


"Grito pras pessoas
E elas me fitam
E sufocam
Entre tintas descascadas
E sujeiras
Mais que a garganta que não cansa
A voz alcança um tempo sem fim
E as folhas mortas pelo chão- da outra estação -
Ainda são bonitas
Ainda são perfeitas
Ainda são, pra sempre..."
Jay Vaquer, Paredes.

06/07/2008



Último post do blog antigo.
Resolvi que deveria ser o primeiro do novo, senão isso não teria pé nem cabeça.
Pensando melhor...
É essa a intenção.
(o título denuncia)