Porque nem só de senso e sentido é feito o Mundo...
Bem-vindo ao meu.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

É mais uma noite quente de verão em meio a tantas outras noites quentes deste verão que não quer terminar nunca. Nem mesmo sabendo que seu tempo já se esgotou, que já é hora de outono.
As águas de março não fecharam o verão. Março já foi e nem uma nuvem no céu. Nem sinal das marés revoltas. Me pergunto: se as águas de março não fecharam o verão, haverá promessa de vida no meu coração?
Sim. Nem me ouso a tentar me orientar pelo tempo, pela marés, pelos solstícios e equinócios. Em Salvador, não há estações do ano.
Durante a semana que passou, ”comemorativa” dos 460 anos da capital baiana, um jornal local fez um concurso para eleger a música que mais teria a cara de Salvador. Engraçado... Coincidentemente, em todas elas, apenas calor, verão, pegação, alegria e, claro, Carnaval.
Aqui, as estações do ano são outras, diversas de todos os calendários existentes no mundo: Carnaval, Pós-Carnaval (quando começa o ano, de fato), Festas Juninas (acompanhadas de intenso fluxo migratório para o interior), Pré-Carnaval, Verão – única estação semelhante às tradicionais – com todos os ensaios e outras festas semelhantes que tem-se direito, outro Carnaval, e inicia-se mais um ano...
“Não chove nessa cidade? Não tem tempo ruim?”, devem se perguntar os de fora. Eu, aqui há 22 anos, ainda não descobri a resposta para essa pergunta, e hoje, com esse Sol insuportavelmente teimoso a se pôr, sou eu quem pergunto: não chove nessa cidade?!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

"A vida é como a navegação.
A turbulência sempre vai existir. Mas o vento não pode nos derrubar. Quando as nuvens fecharem sobre a sua cabeça, procure a costa, recolha as velas, jogue as âncoras. Mande também sinais de SOS. Muitos outros barcos virão lhe ajudar, e mesmo que seu barco afunde, você estará vivo e pronto pra recomeçar tudo de novo. Conhecer novas costas, procurar um por-do-sol mais bonito.
Lembre-se sempre que as nuvens sempre vão passar. O sol sempre abre novamente, mesmo que em seguida o tempo se feche novamente.
Se o tempo estiver muito fechado, por muito tempo, o sol demorar a abrir, ou quando abre, dura quase nada, talvez seja hora de mudar de porto. Conhecer novos horizontes, novos portos.
Nos portos onde você parar, busque conhecer o lugar, a cultura. Divirta-se com as festas, com os outros marinheiros que também estão lá, com a população local. Troque experiências, cante e dance ao som de uma musica animada. Namorique. Busque alguem e faça dessa pessoa a mais feliz do mundo enquanto estiverem juntos.
Vá atrás de seus sonhos. Decola. Não fique na mesma rota de navegação dos outros, faça diferente. Você nunca vai ser feliz se seguir o modelo de felicidade de outros.
Se você se perder, estiver sozinho no meio do oceano e sem vento, não se desespere. Mas tenha sempre suprimento guardado pra essas ocasiões.
No meio do caminho você pode encontrar também piratas. Esses são perigosos. As vezes até disfarçados de amigo, as vezes declaradamente piratas. Por isso muitas vezes é bom sempre andar em grandes grupos. Se alguem lhe roubar, destruir seu navio, logo alguem chegará pra lhe socorrer.
Viva sempre intensamente cada momento, tempestade ou céu estrelado. Sozinho ou acompanhado.
Quando você estiver bem velhinho e não puder mais navegar, você terá muito o que contar. Terá visto varias vezes as estrelas no céu. Com certeza terá passado por muitas tempestades, alguns furacões talvez.
Olha seu passado. Deixa passar o filme de sua vida frente. Tire suas conclusões. Você foi feliz? Quantas vezes chorou de alegria? Quantos amores de verdade lhe fizeram a pessoa mais feliz do mundo? Mesmo que não tenham durado para sempre. Muitas vezes as rotas são diferentes. Os destinos também.
Olha pra trás. Lembra de quantos barcos navegaram ao seu lado. Quantas vezes seu navio fora destruido, sofreu avarias, no entanto você está firme e forte. Passou por todas as tempestades.
Durante o filme, veja como foi a atuação do protagonista, ou seja, você. Das suas conclusões você saberá se foi feliz ou não. Ninguém mais pode dizer isso por você"

Nicolás Andrés Sales Lopez Baldomá
http://memyselfandidiary.blogspot.com/


É a primeira vez que posto um texto de outra pessoa. E de um amigo, honra minha. Este post começou justamente comentando este texto no blog dele.
Deveria tê-lo usado este ano, quando estava "buscando novos portos". Foi uma viagem cheia - REPLETA - de turbulências, de danos no barco, de falta de ventos, de pensar em abaixar âncora algumas vezes, de erros no roteiro... Mas finalmente cheguei onde queria. E aportei. Hoje faz exatamente uma semana... Não poderia estar mais feliz e completa com isso.
Infelizmente, só irei começar a desbravar essa nova terra em agosto, mas até lá tenho muuuito o que descansar depois dessa viagem... Fazer alguns reparos no barco também. Foi uma longa jornada. As velas estão rasgadas, o motor está cansado.
Diante de toda a viagem, só uma coisa vem à minha cabeça: eu sou uma vencedora! Não por ter superado um vestibular e ter conseguido (finalmente) chegar à tão sonhada UFBa, mas sim por ter vencido a mim mesma, ter vencido a opinião alheia de que um título é certeza de enriquecimento. O "título" de Doutora, este virá com o meu Doutorado, e não com um bacharelado, apenas, em uma profissão que convencionou-se ser superior às demais. Enriquecimento vem com trabalho árduo, digno, com dedicação, com AMOR àquilo que se escolheu. E nada disso me falta. O sucesso virá, sim. Virá porque ele está aqui dentro. É prova do sucesso remar contra a maré e vencer a correnteza.



Ah... e aquilo que eu disse antes sobre o limiar entre amadora e profissional...
Cheguei à conclusão que isso não existe.
Escrever está dentro de mim. A Faculdade irá suprir minhas falhas, corrigir meus defeitos, (re)formar minha visão de mundo. Mas NADA supera uma paixão, um dom ou sei-lá-o-que-queiram-chamar isso que me preenche por dentro enquanto escrevo.

Paula da Paz Gomes, Jornalismo UFBa 2009.2
(em lágrimas, novamente. Dessa vez, não de dor, não de tristeza, não por falta de forças para continuar.
Lágrimas de alegria, de vitória)




"'Bora' que o vento não me derrubou
E a turbulência por aqui passou
Aproveita e decola...
Atrás do teu sonho, meu amor!"
Falamansa (Valeu, Nick! ^^)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Costuma-se dizer que escrever é dom.
Eu não concordo... Não digo que escrever pra mim é uma necessidade, porque isso muita gente diz, é piegas. E, cá entre nós... Quem não tem a necessidade de escrever? Pelo menos pra assinar o nome no RG?
Diria que escrever é natural. Algo que nasce conosco.
Obviamente, algo que nasceu comigo.

Estava me observando hoje. [momento Narciso]
Na verdade, estava observando como é conversar pelo Messenger.
Escrevo de duas maneiras: instintivamente e racionalmente.
Instintivamente, escrevo da mesma forma que falo. Com todas as vogais repetidas que tenho direito, com as letras maiúsculas pra chamar a atenção - ACREDITEEEE! - e se possível, com negritos, itálicos, sublinhados e afins. Exatamente como sou, e quem me conhece irá rir ao ler isto. Pena que não tenha recursos pra escrever também o que falo com as mãos...
Racionalmente, aí sim eu vejo e revejo o que ponho no papel (ou na tela), tento usar palavras diferentes do habitual, verifico as vírgulas, concordâncias, ortografias e tudo o mais.
E acho que é este o entrave de muitos. Não escrever. O problema é a Norma Culta. As regras, os limites, as ordens.
Sem querer me gabar, isto também sai naturalmente no meu caso.
(Com exceções... Isto ou isso?)
Não sei se foi a leitura precoce e por prazer desde sempre, ou o fascínio que o domínio da língua me dá, ou se é uma maneira minha de tentar ser boa em algo. Nunca foi vantagem saber Português, gostar de Literatura, escrever certinho. Legal mesmo era ser fera em Matemática, Física... Aí você era O CDF!
Com o tempo, você descobre que matemáticos, físicos, químicos, e até aquele que misturam essas três ciências que ainda me causam dissabores, precisam de nós, amantes da língua.
Um dia, eles irão fazer um relatório.
Entregar uma monografia.
Editar um livro.
Fazer um discurso para ganhar um prêmio ilustre, quem sabe.
Nessas horas... Eles recorrem a nós! Touchè!

Sinto muito, CDF's...
Eu posso sobreviver sem a teoria da Relatividade, e viveria tranquilamente sem saquer saber da existência dos números complexos.
Mas sem falar, ouvir, escrever, ler, interagir... Eu me recuso.
Vocês conseguiriam? ;)



"Minha língua é minha pátria."
Caetano Veloso