Quisera eu não ter tantos medos
Mas tenho ainda muitos filhos a nascer
Crianças, livros, árvores
Páginas a amamentar
Filhotes a educar
Sementes a adubar
A juventude não me fez transviada
Conservo medos da infância
Carrego a alma envelhecida dentro deste corpo ainda jovem
Que só anseia Paz e sossego
Quisera eu ser mais destemida
Ainda que o senso de justiça brade dentro em mim
Para que eu aponte, denuncie, escancare
Quebre tabus e derrube máscaras
A conformidade das experiências que não tive me cala
Amordaça os meus medos e conflitos
Não possuo o brio dos cara-pintadas e extraditados políticos
Não pertenço a esta idade que me deram
A morte me ronda a todo instante
Quisera eu falar e falar, continuamente
Mas me calo em um ponto final.