Porque nem só de senso e sentido é feito o Mundo...
Bem-vindo ao meu.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Mais (ou menos) um ano...

Cada ano que termina para mim é literalmente o fechamento de um ciclo. Este 2012 começa com o início dos meus 25 anos, "de sangue, de sonho e de América do Sul", como dizia Belchior.
2011 foi um ano árduo, na faculdade, na profissão, nas amizades, na família, no namoro... Mas um ano de muito aprendizado.
Aprendi o quanto posso ser forte e independente em 2 meses de namoro à distância.
Aprendi o quanto tenho que dar valor ao suor do meu trabalho e ao fruto dele.
Aprendi que preciso aprender a controlar meu dinheiro. E meu espaço. E meu tempo. E minha língua. E meus sentimentos. Ou seja, eu necessito ter mais controle.
Aprendi que em meio a uma multidão de 100 mil pessoas você pode ficar feliz com apenas uma ao seu lado.
Aprendi que a chuva pode encharcar a roupa, mas lavar a alma.
Aprendi no Rio que tenho pânico de túneis, que a violência lá é muito menor do que parece, que Salvador poderia ser uma cidade muito melhor, que minha família é preciosa mesmo longe, que Deus foi muito bondoso com essa Cidade Maravilhosa. E também que eu inevitavelmente vou morar lá.
Aprendi que amigos são insubstituíveis... Mas quando alguns somem, sempre terão outros do seu lado. O importante é não ficar sozinho.
Aprendi a não subestimar a minha inteligência e fazer bom uso dela nos momentos mais difíceis. Especialmente quando temos um professor amedrontador pela frente.
Aprendi que minha aparência não é tudo sobre mim. Mesmo mais de 30kg acima do seu peso, eu continuo sendo capaz do mesmo jeito de conquistar coisas e pessoas com um sorriso. Mas também aprendi que não preciso fazer parte de um círculo para defendê-lo, e perder esses 30kg não me fará menos defensora dos valores plus size.
Aprendi que amar meu trabalho faz dele muito mais leve. Principalmente quando você aprende a amar também a convivência saudável e amigável dentro do ambiente onde você o executa.
Aprendi que minha saúde deve sim ser levada a sério, independente da minha idade.
Aprendi mais uma vez a lidar com a perda... E, não importa quanto tempo passe, pessoas fundamentais continuam sendo fundamentais pra você. E eu sempre amarei vocês da mesma fora, Mô Tio e Lipe.
Aprendi e reaprendi a aprender. A rir, a sorrir, a amar, a perdoar, a brigar, a lutar, a valorizar, a abstrair, a sorri, a chorar, a enxugar as lágrimas e sorri de novo.

Aprendi que clichês são muito verdadeiros.
Todas as palavras são clichês... Mas são verdade.

Que 2012 supere todas as expectativas e seja tudo o que 2011 não foi. Pra mim, pra minha família, pra você, pra todos que quiserem.
E que Deus nos abençoe e nos dê PAZ neste novo ano, com muito mais aprendizado!

domingo, 8 de agosto de 2010

AUSÊNCIA

A falta do não-ter
Mais que lacuna, vazio
O sangue que te pertencia
e comigo dividias
Não mais nos entrelaça
Mas as fotos, as páginas, as palavras
Estas não viraram cinzas
E testemunham o Amor que fica
E permanece

*Escrito em 13/06/2010


Primeiro dia dos pais sem um dos meus pais amados, meu tio Nilton, que se foi há quase dois meses, mas sua ausência ainda é sentida em cada dia, em cada riso, em cada reunião de família, em cada lágrima que ainda cai.
Você sempre será lembrado, Mô Tio... Seu riso e seu caráter serão sempre referência para mim.
E nós te amaremos sempre... Até que nossos corpos virem cinza e se misturem ao seu.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sobre as idades

Quisera eu não ter tantos medos
Mas tenho ainda muitos filhos a nascer
Crianças, livros, árvores
Páginas a amamentar
Filhotes a educar
Sementes a adubar
A juventude não me fez transviada
Conservo medos da infância
Carrego a alma envelhecida dentro deste corpo ainda jovem
Que só anseia Paz e sossego

Quisera eu ser mais destemida
Ainda que o senso de justiça brade dentro em mim
Para que eu aponte, denuncie, escancare
Quebre tabus e derrube máscaras
A conformidade das experiências que não tive me cala
Amordaça os meus medos e conflitos
Não possuo o brio dos cara-pintadas e extraditados políticos
Não pertenço a esta idade que me deram
A morte me ronda a todo instante

Quisera eu falar e falar, continuamente
Mas me calo em um ponto final.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

UM PRIMEIRO CONTATO

Virou aquela página como quem toca pela primeira vez uma taça herança de gerações do topo da cristaleira, sem querer deixar digitais. Às escondidas, um crime sorrateiro. Nunca lhe fora oferecido experimentar aquela iguaria, resguardada, em sua época, aos grandes. A curiosidade lhe era escassa, encerrada num cofre a sete chaves desde a infância talhada de luta, de trabalho pesado, de ser mãe dos irmãos, de ser dona de uma casa que não era a sua.

Tudo ali lhe parecia novo, uma série de códigos indecifráveis, talvez mensagens extraterrestres, talvez hieróglifos de uma civilização antiga. Olhou os contornos daqueles símbolos sagrados e achou-os muito bonitos assim, secretos dentro da sua sapiência, guardando significados que, para ela, foram vetados. Acostumou-se a ignorá-los pelas ruas por onde andava, estranha ofensa estampada onde quer que fosse, diminuindo-a, relembrando sua quase escrava condição.

Levemente, percorreu com os dedos aqueles contornos negros eternizados nas páginas já amareladas pelo tempo, tentando, pelo tato, entender o que diriam aos seus olhos, aquelas frases, infinitas, imortais, já que sua cegueira ali não via qualquer sentido.

Aspirou com todo o fôlego dos pulmões aquele odor acre, tentando apreender algo de ciência restante dos rastros deixados pelos dedos ali passados. Fosse outra alternativa desesperada de compreender o indecifrável, talvez.

Por um segundo, um súbito de esperança a fez imaginar – o ser humano não se perde de seus sonhos – que um dia, quem sabe, pudesse saber o que diziam aquelas letras, aquelas palavras, aquelas frases, aquelas páginas, e outras mais.

Apenas por um segundo.

Fechou o livro e recolocou-o de volta à estante. E voltou a preocupar-se com todo aquele pó que acumulava a gigantesca biblioteca, atarefada que sempre estava, sem tempo para “estas coisas de estudos”. E novamente esqueceu-se de sua condição humana e deixou de sonhar.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Acabei de me dar conta que faz quase um ano.
Um ano de mudanças absurdas, cujo início foi traçado aqui.
Um ano de "rumo ao profissional", quando aprendi que me faço profissional a cada dia.

Hoje, de volta à minha descontinuidade, tentando retomar meus raciocínios próprios, meus pontos de interrogação, tentando deixar um pouco de lado o factual e passando ao meu não-factual literário, as minhas palavras ditas sem a intenção de causar qualquer furor... Apenas eu.
Um impulso de 140 caracteres me fez sentir saudades tamanhas de deixar meus dedos correrem livremente sob o teclado e discorrer, somente...

Minha última postagem foi sobre um outono que nunca chegava. Este mesmo outono que, a cada ano, protela a se derramar sobre a minha cidade. E o verão, espaçoso que é, só ocupa mais espaço, repousando ao pôr-do-sol, já noturno, e voltando com força total antes mesmo que o galo cante.
Março ainda não terminou, e suas águas ainda não fecham o verão, mas já colho os frutos plantados em um inverno de estudos, uma primavera de sufocos e um verão de muito trabalho.
Os frutos estão quase maduros... Aguardo pacientemente que caiam do pé, direto na minha mão. Mas quem, olhando uma árvore carregada, convidativa, não se antecipa a supir no pé e colhê-los?
Paciência, pomar meu... Dai-me paciência.

Toda essa conversa sobre o outono começou aqui: http://escritosdaalma.blogspot.com/2007/03/outono-no-no-primavera-outono-e-as.html
Num tempo em que minhas falhas eram camufladas sob um olhar de Querubina.
É bom tirar as máscaras.

*Mas Djavan continua me fazendo palpitar... vale a pena relembrar a sugestão de música:
http://www.youtube.com/watch?v=2XwP32FEzZ0


Hoje tento exercitar também a prosa, deixar um pouco de lado os meus tão amados versos.
Mas os dias são tão quebrados
tão cansados
tão ritmados
tão sonoros
tão compassados
Quanto os versos
que brotam, simplesmente.

(é realmente difícil largar um vício)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

É mais uma noite quente de verão em meio a tantas outras noites quentes deste verão que não quer terminar nunca. Nem mesmo sabendo que seu tempo já se esgotou, que já é hora de outono.
As águas de março não fecharam o verão. Março já foi e nem uma nuvem no céu. Nem sinal das marés revoltas. Me pergunto: se as águas de março não fecharam o verão, haverá promessa de vida no meu coração?
Sim. Nem me ouso a tentar me orientar pelo tempo, pela marés, pelos solstícios e equinócios. Em Salvador, não há estações do ano.
Durante a semana que passou, ”comemorativa” dos 460 anos da capital baiana, um jornal local fez um concurso para eleger a música que mais teria a cara de Salvador. Engraçado... Coincidentemente, em todas elas, apenas calor, verão, pegação, alegria e, claro, Carnaval.
Aqui, as estações do ano são outras, diversas de todos os calendários existentes no mundo: Carnaval, Pós-Carnaval (quando começa o ano, de fato), Festas Juninas (acompanhadas de intenso fluxo migratório para o interior), Pré-Carnaval, Verão – única estação semelhante às tradicionais – com todos os ensaios e outras festas semelhantes que tem-se direito, outro Carnaval, e inicia-se mais um ano...
“Não chove nessa cidade? Não tem tempo ruim?”, devem se perguntar os de fora. Eu, aqui há 22 anos, ainda não descobri a resposta para essa pergunta, e hoje, com esse Sol insuportavelmente teimoso a se pôr, sou eu quem pergunto: não chove nessa cidade?!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

"A vida é como a navegação.
A turbulência sempre vai existir. Mas o vento não pode nos derrubar. Quando as nuvens fecharem sobre a sua cabeça, procure a costa, recolha as velas, jogue as âncoras. Mande também sinais de SOS. Muitos outros barcos virão lhe ajudar, e mesmo que seu barco afunde, você estará vivo e pronto pra recomeçar tudo de novo. Conhecer novas costas, procurar um por-do-sol mais bonito.
Lembre-se sempre que as nuvens sempre vão passar. O sol sempre abre novamente, mesmo que em seguida o tempo se feche novamente.
Se o tempo estiver muito fechado, por muito tempo, o sol demorar a abrir, ou quando abre, dura quase nada, talvez seja hora de mudar de porto. Conhecer novos horizontes, novos portos.
Nos portos onde você parar, busque conhecer o lugar, a cultura. Divirta-se com as festas, com os outros marinheiros que também estão lá, com a população local. Troque experiências, cante e dance ao som de uma musica animada. Namorique. Busque alguem e faça dessa pessoa a mais feliz do mundo enquanto estiverem juntos.
Vá atrás de seus sonhos. Decola. Não fique na mesma rota de navegação dos outros, faça diferente. Você nunca vai ser feliz se seguir o modelo de felicidade de outros.
Se você se perder, estiver sozinho no meio do oceano e sem vento, não se desespere. Mas tenha sempre suprimento guardado pra essas ocasiões.
No meio do caminho você pode encontrar também piratas. Esses são perigosos. As vezes até disfarçados de amigo, as vezes declaradamente piratas. Por isso muitas vezes é bom sempre andar em grandes grupos. Se alguem lhe roubar, destruir seu navio, logo alguem chegará pra lhe socorrer.
Viva sempre intensamente cada momento, tempestade ou céu estrelado. Sozinho ou acompanhado.
Quando você estiver bem velhinho e não puder mais navegar, você terá muito o que contar. Terá visto varias vezes as estrelas no céu. Com certeza terá passado por muitas tempestades, alguns furacões talvez.
Olha seu passado. Deixa passar o filme de sua vida frente. Tire suas conclusões. Você foi feliz? Quantas vezes chorou de alegria? Quantos amores de verdade lhe fizeram a pessoa mais feliz do mundo? Mesmo que não tenham durado para sempre. Muitas vezes as rotas são diferentes. Os destinos também.
Olha pra trás. Lembra de quantos barcos navegaram ao seu lado. Quantas vezes seu navio fora destruido, sofreu avarias, no entanto você está firme e forte. Passou por todas as tempestades.
Durante o filme, veja como foi a atuação do protagonista, ou seja, você. Das suas conclusões você saberá se foi feliz ou não. Ninguém mais pode dizer isso por você"

Nicolás Andrés Sales Lopez Baldomá
http://memyselfandidiary.blogspot.com/


É a primeira vez que posto um texto de outra pessoa. E de um amigo, honra minha. Este post começou justamente comentando este texto no blog dele.
Deveria tê-lo usado este ano, quando estava "buscando novos portos". Foi uma viagem cheia - REPLETA - de turbulências, de danos no barco, de falta de ventos, de pensar em abaixar âncora algumas vezes, de erros no roteiro... Mas finalmente cheguei onde queria. E aportei. Hoje faz exatamente uma semana... Não poderia estar mais feliz e completa com isso.
Infelizmente, só irei começar a desbravar essa nova terra em agosto, mas até lá tenho muuuito o que descansar depois dessa viagem... Fazer alguns reparos no barco também. Foi uma longa jornada. As velas estão rasgadas, o motor está cansado.
Diante de toda a viagem, só uma coisa vem à minha cabeça: eu sou uma vencedora! Não por ter superado um vestibular e ter conseguido (finalmente) chegar à tão sonhada UFBa, mas sim por ter vencido a mim mesma, ter vencido a opinião alheia de que um título é certeza de enriquecimento. O "título" de Doutora, este virá com o meu Doutorado, e não com um bacharelado, apenas, em uma profissão que convencionou-se ser superior às demais. Enriquecimento vem com trabalho árduo, digno, com dedicação, com AMOR àquilo que se escolheu. E nada disso me falta. O sucesso virá, sim. Virá porque ele está aqui dentro. É prova do sucesso remar contra a maré e vencer a correnteza.



Ah... e aquilo que eu disse antes sobre o limiar entre amadora e profissional...
Cheguei à conclusão que isso não existe.
Escrever está dentro de mim. A Faculdade irá suprir minhas falhas, corrigir meus defeitos, (re)formar minha visão de mundo. Mas NADA supera uma paixão, um dom ou sei-lá-o-que-queiram-chamar isso que me preenche por dentro enquanto escrevo.

Paula da Paz Gomes, Jornalismo UFBa 2009.2
(em lágrimas, novamente. Dessa vez, não de dor, não de tristeza, não por falta de forças para continuar.
Lágrimas de alegria, de vitória)




"'Bora' que o vento não me derrubou
E a turbulência por aqui passou
Aproveita e decola...
Atrás do teu sonho, meu amor!"
Falamansa (Valeu, Nick! ^^)