sábado, 31 de dezembro de 2011
Mais (ou menos) um ano...
domingo, 8 de agosto de 2010
A falta do não-ter
Mais que lacuna, vazio
O sangue que te pertencia
e comigo dividias
Não mais nos entrelaça
Mas as fotos, as páginas, as palavras
Estas não viraram cinzas
E testemunham o Amor que fica
E permanece
*Escrito em 13/06/2010
Primeiro dia dos pais sem um dos meus pais amados, meu tio Nilton, que se foi há quase dois meses, mas sua ausência ainda é sentida em cada dia, em cada riso, em cada reunião de família, em cada lágrima que ainda cai.
Você sempre será lembrado, Mô Tio... Seu riso e seu caráter serão sempre referência para mim.
E nós te amaremos sempre... Até que nossos corpos virem cinza e se misturem ao seu.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
UM PRIMEIRO CONTATO
Virou aquela página como quem toca pela primeira vez uma taça herança de gerações do topo da cristaleira, sem querer deixar digitais. Às escondidas, um crime sorrateiro. Nunca lhe fora oferecido experimentar aquela iguaria, resguardada, em sua época, aos grandes. A curiosidade lhe era escassa, encerrada num cofre a sete chaves desde a infância talhada de luta, de trabalho pesado, de ser mãe dos irmãos, de ser dona de uma casa que não era a sua.
Tudo ali lhe parecia novo, uma série de códigos indecifráveis, talvez mensagens extraterrestres, talvez hieróglifos de uma civilização antiga. Olhou os contornos daqueles símbolos sagrados e achou-os muito bonitos assim, secretos dentro da sua sapiência, guardando significados que, para ela, foram vetados. Acostumou-se a ignorá-los pelas ruas por onde andava, estranha ofensa estampada onde quer que fosse, diminuindo-a, relembrando sua quase escrava condição.
Levemente, percorreu com os dedos aqueles contornos negros eternizados nas páginas já amareladas pelo tempo, tentando, pelo tato, entender o que diriam aos seus olhos, aquelas frases, infinitas, imortais, já que sua cegueira ali não via qualquer sentido.
Aspirou com todo o fôlego dos pulmões aquele odor acre, tentando apreender algo de ciência restante dos rastros deixados pelos dedos ali passados. Fosse outra alternativa desesperada de compreender o indecifrável, talvez.
Por um segundo, um súbito de esperança a fez imaginar – o ser humano não se perde de seus sonhos – que um dia, quem sabe, pudesse saber o que diziam aquelas letras, aquelas palavras, aquelas frases, aquelas páginas, e outras mais.
Apenas por um segundo.
Fechou o livro e recolocou-o de volta à estante. E voltou a preocupar-se com todo aquele pó que acumulava a gigantesca biblioteca, atarefada que sempre estava, sem tempo para “estas coisas de estudos”. E novamente esqueceu-se de sua condição humana e deixou de sonhar.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Um ano de mudanças absurdas, cujo início foi traçado aqui.
Um ano de "rumo ao profissional", quando aprendi que me faço profissional a cada dia.
Hoje, de volta à minha descontinuidade, tentando retomar meus raciocínios próprios, meus pontos de interrogação, tentando deixar um pouco de lado o factual e passando ao meu não-factual literário, as minhas palavras ditas sem a intenção de causar qualquer furor... Apenas eu.
Um impulso de 140 caracteres me fez sentir saudades tamanhas de deixar meus dedos correrem livremente sob o teclado e discorrer, somente...
Minha última postagem foi sobre um outono que nunca chegava. Este mesmo outono que, a cada ano, protela a se derramar sobre a minha cidade. E o verão, espaçoso que é, só ocupa mais espaço, repousando ao pôr-do-sol, já noturno, e voltando com força total antes mesmo que o galo cante.
Março ainda não terminou, e suas águas ainda não fecham o verão, mas já colho os frutos plantados em um inverno de estudos, uma primavera de sufocos e um verão de muito trabalho.
Os frutos estão quase maduros... Aguardo pacientemente que caiam do pé, direto na minha mão. Mas quem, olhando uma árvore carregada, convidativa, não se antecipa a supir no pé e colhê-los?
Paciência, pomar meu... Dai-me paciência.
Toda essa conversa sobre o outono começou aqui: http://escritosdaalma.blogspot.com/2007/03/outono-no-no-primavera-outono-e-as.html
Num tempo em que minhas falhas eram camufladas sob um olhar de Querubina.
É bom tirar as máscaras.
*Mas Djavan continua me fazendo palpitar... vale a pena relembrar a sugestão de música:
http://www.youtube.com/watch?v=2XwP32FEzZ0
Hoje tento exercitar também a prosa, deixar um pouco de lado os meus tão amados versos.
Mas os dias são tão quebrados
tão cansados
tão ritmados
tão sonoros
tão compassados
Quanto os versos
que brotam, simplesmente.
(é realmente difícil largar um vício)
quinta-feira, 2 de abril de 2009
As águas de março não fecharam o verão. Março já foi e nem uma nuvem no céu. Nem sinal das marés revoltas. Me pergunto: se as águas de março não fecharam o verão, haverá promessa de vida no meu coração?
Sim. Nem me ouso a tentar me orientar pelo tempo, pela marés, pelos solstícios e equinócios. Em Salvador, não há estações do ano.
Durante a semana que passou, ”comemorativa” dos 460 anos da capital baiana, um jornal local fez um concurso para eleger a música que mais teria a cara de Salvador. Engraçado... Coincidentemente, em todas elas, apenas calor, verão, pegação, alegria e, claro, Carnaval.
Aqui, as estações do ano são outras, diversas de todos os calendários existentes no mundo: Carnaval, Pós-Carnaval (quando começa o ano, de fato), Festas Juninas (acompanhadas de intenso fluxo migratório para o interior), Pré-Carnaval, Verão – única estação semelhante às tradicionais – com todos os ensaios e outras festas semelhantes que tem-se direito, outro Carnaval, e inicia-se mais um ano...
“Não chove nessa cidade? Não tem tempo ruim?”, devem se perguntar os de fora. Eu, aqui há 22 anos, ainda não descobri a resposta para essa pergunta, e hoje, com esse Sol insuportavelmente teimoso a se pôr, sou eu quem pergunto: não chove nessa cidade?!
sábado, 7 de fevereiro de 2009
A turbulência sempre vai existir. Mas o vento não pode nos derrubar. Quando as nuvens fecharem sobre a sua cabeça, procure a costa, recolha as velas, jogue as âncoras. Mande também sinais de SOS. Muitos outros barcos virão lhe ajudar, e mesmo que seu barco afunde, você estará vivo e pronto pra recomeçar tudo de novo. Conhecer novas costas, procurar um por-do-sol mais bonito.
Lembre-se sempre que as nuvens sempre vão passar. O sol sempre abre novamente, mesmo que em seguida o tempo se feche novamente.
Se o tempo estiver muito fechado, por muito tempo, o sol demorar a abrir, ou quando abre, dura quase nada, talvez seja hora de mudar de porto. Conhecer novos horizontes, novos portos.
Nos portos onde você parar, busque conhecer o lugar, a cultura. Divirta-se com as festas, com os outros marinheiros que também estão lá, com a população local. Troque experiências, cante e dance ao som de uma musica animada. Namorique. Busque alguem e faça dessa pessoa a mais feliz do mundo enquanto estiverem juntos.
Vá atrás de seus sonhos. Decola. Não fique na mesma rota de navegação dos outros, faça diferente. Você nunca vai ser feliz se seguir o modelo de felicidade de outros.
Se você se perder, estiver sozinho no meio do oceano e sem vento, não se desespere. Mas tenha sempre suprimento guardado pra essas ocasiões.
No meio do caminho você pode encontrar também piratas. Esses são perigosos. As vezes até disfarçados de amigo, as vezes declaradamente piratas. Por isso muitas vezes é bom sempre andar em grandes grupos. Se alguem lhe roubar, destruir seu navio, logo alguem chegará pra lhe socorrer.
Viva sempre intensamente cada momento, tempestade ou céu estrelado. Sozinho ou acompanhado.
Quando você estiver bem velhinho e não puder mais navegar, você terá muito o que contar. Terá visto varias vezes as estrelas no céu. Com certeza terá passado por muitas tempestades, alguns furacões talvez.
Olha seu passado. Deixa passar o filme de sua vida frente. Tire suas conclusões. Você foi feliz? Quantas vezes chorou de alegria? Quantos amores de verdade lhe fizeram a pessoa mais feliz do mundo? Mesmo que não tenham durado para sempre. Muitas vezes as rotas são diferentes. Os destinos também.
Olha pra trás. Lembra de quantos barcos navegaram ao seu lado. Quantas vezes seu navio fora destruido, sofreu avarias, no entanto você está firme e forte. Passou por todas as tempestades.
Durante o filme, veja como foi a atuação do protagonista, ou seja, você. Das suas conclusões você saberá se foi feliz ou não. Ninguém mais pode dizer isso por você"
Nicolás Andrés Sales Lopez Baldomá
http://memyselfandidiary.blogspot.com/
Deveria tê-lo usado este ano, quando estava "buscando novos portos". Foi uma viagem cheia - REPLETA - de turbulências, de danos no barco, de falta de ventos, de pensar em abaixar âncora algumas vezes, de erros no roteiro... Mas finalmente cheguei onde queria. E aportei. Hoje faz exatamente uma semana... Não poderia estar mais feliz e completa com isso.
Infelizmente, só irei começar a desbravar essa nova terra em agosto, mas até lá tenho muuuito o que descansar depois dessa viagem... Fazer alguns reparos no barco também. Foi uma longa jornada. As velas estão rasgadas, o motor está cansado.
Diante de toda a viagem, só uma coisa vem à minha cabeça: eu sou uma vencedora! Não por ter superado um vestibular e ter conseguido (finalmente) chegar à tão sonhada UFBa, mas sim por ter vencido a mim mesma, ter vencido a opinião alheia de que um título é certeza de enriquecimento. O "título" de Doutora, este virá com o meu Doutorado, e não com um bacharelado, apenas, em uma profissão que convencionou-se ser superior às demais. Enriquecimento vem com trabalho árduo, digno, com dedicação, com AMOR àquilo que se escolheu. E nada disso me falta. O sucesso virá, sim. Virá porque ele está aqui dentro. É prova do sucesso remar contra a maré e vencer a correnteza.
Ah... e aquilo que eu disse antes sobre o limiar entre amadora e profissional...
Cheguei à conclusão que isso não existe.
Escrever está dentro de mim. A Faculdade irá suprir minhas falhas, corrigir meus defeitos, (re)formar minha visão de mundo. Mas NADA supera uma paixão, um dom ou sei-lá-o-que-queiram-chamar isso que me preenche por dentro enquanto escrevo.
Paula da Paz Gomes, Jornalismo UFBa 2009.2
(em lágrimas, novamente. Dessa vez, não de dor, não de tristeza, não por falta de forças para continuar.
Lágrimas de alegria, de vitória)
"'Bora' que o vento não me derrubou
E a turbulência por aqui passou
Aproveita e decola...
Atrás do teu sonho, meu amor!"
Falamansa (Valeu, Nick! ^^)