domingo, 8 de agosto de 2010
A falta do não-ter
Mais que lacuna, vazio
O sangue que te pertencia
e comigo dividias
Não mais nos entrelaça
Mas as fotos, as páginas, as palavras
Estas não viraram cinzas
E testemunham o Amor que fica
E permanece
*Escrito em 13/06/2010
Primeiro dia dos pais sem um dos meus pais amados, meu tio Nilton, que se foi há quase dois meses, mas sua ausência ainda é sentida em cada dia, em cada riso, em cada reunião de família, em cada lágrima que ainda cai.
Você sempre será lembrado, Mô Tio... Seu riso e seu caráter serão sempre referência para mim.
E nós te amaremos sempre... Até que nossos corpos virem cinza e se misturem ao seu.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
UM PRIMEIRO CONTATO
Virou aquela página como quem toca pela primeira vez uma taça herança de gerações do topo da cristaleira, sem querer deixar digitais. Às escondidas, um crime sorrateiro. Nunca lhe fora oferecido experimentar aquela iguaria, resguardada, em sua época, aos grandes. A curiosidade lhe era escassa, encerrada num cofre a sete chaves desde a infância talhada de luta, de trabalho pesado, de ser mãe dos irmãos, de ser dona de uma casa que não era a sua.
Tudo ali lhe parecia novo, uma série de códigos indecifráveis, talvez mensagens extraterrestres, talvez hieróglifos de uma civilização antiga. Olhou os contornos daqueles símbolos sagrados e achou-os muito bonitos assim, secretos dentro da sua sapiência, guardando significados que, para ela, foram vetados. Acostumou-se a ignorá-los pelas ruas por onde andava, estranha ofensa estampada onde quer que fosse, diminuindo-a, relembrando sua quase escrava condição.
Levemente, percorreu com os dedos aqueles contornos negros eternizados nas páginas já amareladas pelo tempo, tentando, pelo tato, entender o que diriam aos seus olhos, aquelas frases, infinitas, imortais, já que sua cegueira ali não via qualquer sentido.
Aspirou com todo o fôlego dos pulmões aquele odor acre, tentando apreender algo de ciência restante dos rastros deixados pelos dedos ali passados. Fosse outra alternativa desesperada de compreender o indecifrável, talvez.
Por um segundo, um súbito de esperança a fez imaginar – o ser humano não se perde de seus sonhos – que um dia, quem sabe, pudesse saber o que diziam aquelas letras, aquelas palavras, aquelas frases, aquelas páginas, e outras mais.
Apenas por um segundo.
Fechou o livro e recolocou-o de volta à estante. E voltou a preocupar-se com todo aquele pó que acumulava a gigantesca biblioteca, atarefada que sempre estava, sem tempo para “estas coisas de estudos”. E novamente esqueceu-se de sua condição humana e deixou de sonhar.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Um ano de mudanças absurdas, cujo início foi traçado aqui.
Um ano de "rumo ao profissional", quando aprendi que me faço profissional a cada dia.
Hoje, de volta à minha descontinuidade, tentando retomar meus raciocínios próprios, meus pontos de interrogação, tentando deixar um pouco de lado o factual e passando ao meu não-factual literário, as minhas palavras ditas sem a intenção de causar qualquer furor... Apenas eu.
Um impulso de 140 caracteres me fez sentir saudades tamanhas de deixar meus dedos correrem livremente sob o teclado e discorrer, somente...
Minha última postagem foi sobre um outono que nunca chegava. Este mesmo outono que, a cada ano, protela a se derramar sobre a minha cidade. E o verão, espaçoso que é, só ocupa mais espaço, repousando ao pôr-do-sol, já noturno, e voltando com força total antes mesmo que o galo cante.
Março ainda não terminou, e suas águas ainda não fecham o verão, mas já colho os frutos plantados em um inverno de estudos, uma primavera de sufocos e um verão de muito trabalho.
Os frutos estão quase maduros... Aguardo pacientemente que caiam do pé, direto na minha mão. Mas quem, olhando uma árvore carregada, convidativa, não se antecipa a supir no pé e colhê-los?
Paciência, pomar meu... Dai-me paciência.
Toda essa conversa sobre o outono começou aqui: http://escritosdaalma.blogspot.com/2007/03/outono-no-no-primavera-outono-e-as.html
Num tempo em que minhas falhas eram camufladas sob um olhar de Querubina.
É bom tirar as máscaras.
*Mas Djavan continua me fazendo palpitar... vale a pena relembrar a sugestão de música:
http://www.youtube.com/watch?v=2XwP32FEzZ0
Hoje tento exercitar também a prosa, deixar um pouco de lado os meus tão amados versos.
Mas os dias são tão quebrados
tão cansados
tão ritmados
tão sonoros
tão compassados
Quanto os versos
que brotam, simplesmente.
(é realmente difícil largar um vício)